quinta-feira, 8 de julho de 2010

Atendimento

É bem nesses momentos que eu prefiro testar uma das minhas habilidades: abster a minha mente de mim mesmo para que ela, com seu passe livre, passeie por qualquer horizonte.

(#Chick Habit – April March)

Estou na fila de espera pra atendimento, em um supermercado. Uma fila que cresce há mais de vinte minutos atrás de mim. Esqueci que é início do mês e a carne e o leite estão em promoção – tudo o que o planejamento de uma família de classe média almeja. Merda, e eu nem vou comprar um desses intens.

(#Did You See The Words – Animal Collective)

Ainda bem que eu achei esse carrinho de compras pequeno no meio dos corredores, pelo menos não sinto a dormência terrível que esses sacos de ração me causariam nos braços. Odeio quando isso acontece, a dormência, odeio essa sensação de impotência, de que eu não consigo mexer algum membro meu. Tem gente que ri da sensação, acha bom; eu não acho bom nem quando eu tenho o mecanismo normalizado, me irrita saber que por um momento perdi o controle. Ainda bem que peguei o carrinho.

(#Ambulance – Blur)

Agora, esses cinco sacos de ração me fazem companhia. Deve ser a companhia mais cara que eu já tive que pagar, não, não a mais cara é pra quem essa ração será destinada. Não sei como agüentam comer isso, tem gosto de areia com merda, não, melhor: barro com merda. Mas dizem que é necessário, tem as vitaminas de interesse do processo de metabolismo. Coitados.

(#Ambulance – Blur (pause))

- Só isso mesmo, senhor?

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